SUS amplia teleatendimento para jogadores compulsivos por jogos de apostas
Entre janeiro de 2018 e maio de 2025, o número de atendimentos pelo SUS de casos de jogo patológico e de mania de jogo e aposta aumentou 104%, no Brasil.
Ainda neste ano, o Ministério da Saúde pretende ampliar os serviços de atendimentos por telefone e por videochamadas para pessoas com problemas relacionados à dependência em jogos de apostas. A decisão foi tomada diante da alta demanda de pessoas que vivenciam o vício em jogos de azar digital.
De acordo com as informações da Agência Brasil, a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS) reforçará a estratégia de teleatendimento, além de ficar encarregada de contratar empresas especializadas, ampliando a assistência gratuita a jogadores compulsivos.
Em março deste ano foi inaugurado o serviço com foco em jogo de apostas, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. A iniciativa já conta com 6.912 usuários cadastrados. Com plano de ações de prevenção, qualificação profissional e ampliação do acesso populacional aos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), a ampliação do teleatendimento pode receber o investimento no valor de R$ 70 milhões
Além disso, a pasta aplicará R$ 6 milhões para custear a realização de uma pesquisa nacional inédita para entender como os jogos e apostas afetam a saúde dos brasileiros, buscando assim, entender quem são os grupos mais prejudicados e quais são os principais riscos da prática, para a implementação de ações e políticas públicas de atendimento e prevenção no SUS.
Parte do valor, que será direcionado para a execução do plano, integra os R$ 45,7 milhões (em valores não corrigidos) que a pasta recebeu em 2025, a título de destinação social das bets. Corresponde a apenas 1% do Produto da Arrecadação de tributos pagos pelas empresas de apostas e por apostadores, o total repassado ao Ministério da Saúde no ano passado.
Chegando ao total de R$ 4,5 bilhões o Produto da Arrecadação no ano de 2025, o valor foi dividido entre áreas como saúde (1%), educação (10%), turismo (28%), esportes (36%), segurança pública (13,6%), seguridade social (10%) e outras destinações (1,4%), conforme os percentuais estabelecidos na Lei nº 14.790, de 2023.
A legislação define que todo o dinheiro do Produto da Arrecadação repassado ao Ministério da Saúde deve ser gasto com medidas de prevenção, controle e mitigação de danos sociais advindos da prática de jogos.
Para acessar o serviço de teleatendimento em saúde mental do SUS, é necessário cadastrar-se por meio do aplicativo Meu SUS Digital. Seguindo para o aplicativo, disponível gratuitamente nas lojas Android, iOS ou na versão web, e criar uma conta Gov.br ou usar a já cadastrada.
Também é possível acessar a conteúdos informativos sobre sinais de alerta, prevenção e impacto dos jogos na saúde mental, no Meu SUS Digital. A plataforma disponibiliza um questionário, autoteste validado por especialistas, e em caso de alcanço de um resultado indicativo de risco moderado ou elevado, será automaticamente encaminhado para o teleatendimento.
Já em casos de menor risco, a pessoa será orientada a procurar apoio qualificado em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou em Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Por meio do telefone 136, por teleatendimento, via formulário, WhatsApp ou chatbot no site do Ministério da Saúde, a Ouvidoria do SUS, que também está treinada e preparada para orientações sobre o tema atenderá com informações.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece como comportamento potencialmente prejudicial à saúde mental, os problemas com jogos de apostas, associado diretamente à ansiedade, depressão, outros comportamentos compulsivos e risco aumentado de suicídio e autolesão.
Entre janeiro de 2018 e maio de 2025, o número de atendimentos pelo SUS de casos de jogo patológico e de mania de jogo e aposta aumentou 104%, no Brasil. De 10.553 ocorrências atendidas no período, 4.316 foram ambulatoriais e 6.237 na Atenção Primária à Saúde, com alta prevalência entre homens e pessoas entre 20 e 49 anos, chamando a atenção de especialistas pelo aumento do número de casos envolvendo jovens.
Em dezembro de 2025, o governo federal lançou a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que permite aos interessados bloquear o próprio acesso a todos os sites de apostas autorizados a funcionar no país. Mais de meio milhão de pessoas recorreram à ferramenta até o fim de maio.
Ainda foi disponibilizado, pelo Ministério da Saúde em janeiro deste ano, disponibilizou o Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, para orientar o acolhimento, o acompanhamento e o tratamento de pessoas afetadas por jogos e apostas.
Foi assinado pelo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, nessa sexta-feira (19), um decreto (nº 13.033) que visa a reforçar o combate ao mercado ilegal de apostas. Ainda é estabelecido que o dinheiro confiscado poderá ser utilizado no combate ao crime organizado, entre outras medidas.
Com informações de: Agência Brasil
Ministério da Saúde
Sistema Único de Saúde - SUS
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