Ex-chefe de gabinete de Dr. Pessoa controlava pagamentos em esquema, diz polícia
As investigações apontam atuação de ex-servidora que controlava pagamentos e usava contas de terceiros para movimentar valores.
A Polícia Civil do Piauí, por meio do Departamento de Combate ao Crime Organizado (DECCOR) e do Laboratório de Análise de Dados (LAB), detalhou nesta terça-feira (14) os desdobramentos da Operação Gabinete de Ouro, que apura movimentações financeiras atípicas envolvendo ex-servidores e ex-parlamentares de Teresina. A ação tem como base relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificaram transações suspeitas realizadas entre os anos de 2020 e 2024.
O delegado Ferdinando Martins, da DECOOR, explicou que as prisões temporárias decretadas têm o objetivo de garantir a coleta de provas e evitar a destruição de evidências. Segundo ele, as apurações apontam que a ex-servidora investigada exercia papel central no esquema.

“O inquérito que envolve diretamente os presos demonstrou que a servidora pública, que era chefe de gabinete do antigo gestor, realmente controlava e gerenciava todos os pagamentos. Ela mantinha interlocução com fornecedores e donos de construtoras, determinava valores de terceirizados e utilizava contas de outras pessoas para realizar transferências”, afirmou o delegado.
A delegada Bernadete Santana informou que as investigações têm relação com a gestão do ex-prefeito de Teresina e que há conexão entre duas frentes apuratórias conduzidas pela Polícia Civil.
“O Gabinete de Ouro é um inquérito relacionado especificamente às movimentações financeiras dessa ex-comissionada que figurava no gabinete do ex-prefeito. A outra operação, que é a Interpostos, investiga dois ex-parlamentares que teriam movimentado grandes quantias financeiras em suas contas pessoais e se utilizavam de terceiras pessoas, por meio de uma empresa, para firmar contratos com o poder público e dissimular, possivelmente, patrimônio”, explicou a delegada.
Martins destacou ainda que a movimentação de valores elevados por servidores municipais resultou em suspeita. “Nós identificamos, por exemplo, que um motorista do município depositou R$ 150 mil na conta de uma construtora responsável pela obra de reforma e construção da casa dela. Isso ficou bem demonstrado na investigação, além de outras situações que estão caracterizadas”, completou.
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