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Sobrinho de Dr. Pessoa é alvo de operação contra exclusão ilegal de multas da Strans

O delegado Ferdinando Martins, coordenador do Departamento de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro comentou sobre a Operação Reset que investigou o caso.

O delegado Ferdinando Martins, coordenador do Departamento de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (DECCOR-LD), revelou em coletiva de imprensa que um dos alvos da “Operação Reset” é o ex-superintendente da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (STRANS), Bruno Pessoa, sobrinho do ex-prefeito Dr. Pessoa. A ação foi deflagrada nesta quarta-feira (23) com o objetivo de investigar esquema de exclusão indevida de multas em Teresina.

De acordo com o delegado, as investigações detectaram 2.200 mil cancelamentos ilegais de multas, sendo que mais de 400 foram feitas fora do horário de expediente por um ex-servidor que está foragido. Além disso, aproximadamente 12 mil pontos foram excluídos das habilitações de infratores e o prejuízo dessa prática criminosa foi contabilizado em mais de R$ 503 mil.

O coordenador da Deccor informou que o ex-gestor figura como investigado, pois comandou a Strans no período em que a prática criminosa era realizada em benefício de pessoas vinculadas a administração.

Foto: Gabriely Corrêa/ ViagoraDelegado Ferdinando Martins
Delegado Ferdinando Martins

“Um dos alvos é o ex-superintendente da gestão (Bruno Pessoa), que findou em janeiro de 2024. E o outro era o gerente de trânsito desse setor, responsável por exclusão dessas multas. Pessoas que tinham grande força e poder de comando na gestão, na antiga gestão”, explicou.

Dinâmica do crime

A investigação iniciou a partir de uma denúncia anônima que apontou a existência desse esquema criminoso executado por servidores da pasta. O delegado Ferdinando Martins explicou que uma auditoria foi realizada na Strans e identificou a participação de terceirizados junto ao chefe de setor comissionado, responsáveis por fazer as exclusões das multas no sistema seguindo ordens de superiores.

“O que foi constatado foi um verdadeiro improviso. Não havia sequer formalização em muitos pedidos. Eram inseridas placas de veículos que sequer haviam formalizado o pedido para justamente beneficiar esse grupo. Alguns ouvidos chegaram até a apontar que recebiam bilhetes, anotações manuscritas com placas de veículos e diziam é ordem de determinado órgão, é ordem da secretaria A, B, C de gabinete, enfim”, explicou.

Segundo o coordenador da Deccor, os infratores tinham vínculos com a gestão da Strans e por isso eram beneficiados. Entre os favorecidos estão: empresas e algumas autoridades que serão ouvidas posteriormente para esclarecer os fatos.

“Nós ouvimos dois terceirizados e já identificamos indícios claros da participação dos ex-gestores, que foram noticiados, sabiam dessa prática, inclusive se beneficiaram, veículos deles e de parentes tiveram multas excluídas do sistema. Parentes dos gestores”, afirmou.

O Departamento de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (DECCOR-LD) informou também que o próximo passo da operação será identificar quem era dava ordens para exclusão das multas e os beneficiários desse crime para responsabilizá-los.

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