Sargento Mota é expulso da Polícia Militar do Piauí após condenação por furto de perfume
O sargento foi alvo de Processo Administrativo Disciplinar Especial, instaurado em 11 de novembro de 2024, que teve o objetivo de apurar sua capacidade de permanência nas fileiras da PM-PI.
O Comandante Geral da Polícia Militar do Piauí (PM-PI), Scheiwann Lopes, expulsou o 3º sargento Avelar dos Reis Mota da corporação após transgressões disciplinares graves decorrentes de acusações de invasão domiciliar e furto de um perfume Malbec. A decisão foi proferida nessa segunda-feira (23) e será encaminhada para sanção do governador Rafael Fonteles.
O sargento foi alvo de Processo Administrativo Disciplinar Especial, instaurado em 11 de novembro de 2024, que teve o objetivo de apurar sua capacidade de permanência nas fileiras da PM-PI.

Invasão domiciliar e furto
Conforme os autos, no dia 15 de fevereiro de 2023, por volta das 06h07, Mota e o 3º sargento Wellington da Silva teriam desviado da rota oficial de policiamento para entrar na residência de uma mulher, identificada pelas iniciais J.S.S., sem qualquer motivação funcional.
Câmeras de segurança flagraram o policial saindo do imóvel e trancando a porta com uma chave falsa, enquanto o companheiro de farda esperava do lado de fora, próximo à viatura. As filmagens também registraram o momento em que Mota tentou danificar o equipamento de vigilância para ocultar os vestígios da prática criminosa.
Segundo a proprietária do imóvel, os fatos denunciados ocorreram entre fevereiro e julho de 2023, período em que foram constatadas novas invasões ao domicílio, acompanhadas de corte deliberado do fornecimento de energia elétrica do imóvel.

A denunciante alegou ainda que, em 28 de julho de 2023, um militar da Força Tática, trajando vestimenta que ocultava sua identidade facial, atirou contra a câmera de vigilância eletrônica instalada na área externa da casa, destruindo completamente o equipamento que estava registrando as ações praticadas pelo sargento Mota.
Investigação da Comissão Processante
No âmbito do procedimento administrativo disciplinar, uma comissão processante foi formada por oficiais superiores da ativa, todos de hierarquia superior aos acusados. Eles ouviram vários envolvidos no caso, incluindo a proprietária da casa e os acusados.
O policial Wellington da Silva que é apontado como coacusado do crime prestou depoimento e admitiu parcialmente sua presença no local dos fatos, confessando ter ciência da entrada do seu superior hierárquico no imóvel, sem autorização. Ele, no entanto, negou participação direta no furto do perfume.
Já a defesa do sargento Mota alegou que o militar averiguava denúncia de ocupação irregular em imóvel supostamente abandonado, mas a versão foi contestada e desmentida pelas equipes de investigação, pois a casa possuía mobília e pertence, além disso, não havia protocolo operacional para tal averiguação.
O relatório final da Comissão Processante opinou pela imputação de reforma disciplinar compulsória ao sargento Mota e suspensão pelo período de 10 dias para o policial Wellington da Silva.
Contudo, os autos foram encaminhados para a Procuradoria-Geral do Estado do Piauí, que divergiu quanto a penalidade, recomendando a aplicação de exclusão ao sargento Mota, por entender que a extrema gravidade da conduta justifica a perda definitiva do cargo público militar.
Vale ressaltar que, em outubro de 2025, a Justiça já havia condenado o sargento da Polícia Militar do Piauí, Avelar dos Reis Mota, a 4 anos, 2 meses e 12 dias de prisão por invadir uma residência e furtar um perfume em Teresina.
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