Viagora

Mulheres ao volante: motorista por aplicativo desafia preconceitos e conquista espaços em Teresina

No dia Internacional da Mulher, o Viagora traz a história de Maria do Carmo, que há nove anos trabalha como motorista por aplicativo, superando barreiras e preconceitos.

Símbolo de determinação e força, diariamente as mulheres enfrentam inúmeros desafios que vão desde a discriminação no ambiente de trabalho, sobrecarga da rotina doméstica até o mais grave, a violência de gênero. Mesmo diante deste cenário, elas continuam resistindo para não se definir apenas por suas lutas, mas pelas vitórias conquistadas. Maria do Carmo, motorista por aplicativo há nove anos em Teresina, é um exemplo de que a mulher pode ocupar qualquer espaço.

Em entrevista ao Viagora, a motorista, que também preside o Sindicato dos Trabalhadores por Aplicativos no Piauí, afirmou que começou na profissão por necessidade e acabou se encontrando na liberdade de dirigir.

Foto: Divulgação/ Arquivo PessoalMaria do Cargo, motorista por aplicativo
Maria do Carmo, motorista por aplicativo

“Eu e meu marido estávamos desempregados e meu filho ainda era estudante, então vi nas plataformas uma oportunidade. No começo, foi desafiador conciliar trabalhar fora e dentro de casa, cuidar de marido e de filho, não é uma atividade que qualquer outra pessoa fora a mulher consiga conciliar”, explicou.

Com rotina intensa, Carminha inicia seu dia às 04h30 no aplicativo de corridas particulares, volta para casa para descansar e almoçar, logo depois segue nas pistas até às 20h. Ela contou que, em meio à jornada frenética, já enfrentou diversas situações de preconceito por ser mulher.

“Tem uma história que eu nunca esqueci envolvendo um passageiro de 45 anos. Eu estava dirigindo e ele, atento, com os olhos apreensivos, parecia que iam saltar, sabe? Ele ficava me dizendo: ‘Vira ali, cuidado, vai mais devagar, não entre assim’. Eu quase disse para ele pegar o volante e dirigir”, contou.

Emocionada, a profissional também relatou um momento traumático vivido. “Eu até hoje sofro com esse acontecimento. Acredito que superei, mas toda vez que toco no assunto e que lembro, eu desabo novamente. Foi uma viagem que fiz de madrugada, quando estava levando um casal para um motel e um homem tocou nos meus seios. Foi muito forte, tratamos todo mundo com respeito e ainda tem alguém que se acha no direito de fazer algo com a gente, por sermos consideradas ‘sexo frágil’”, afirmou.

Unidas na luta

Embora os obstáculos dessa profissão sejam diversos, unidas elas conseguem romper barreiras, alcançar posições de liderança e se fortalecer. Maria do Carmo explicou que as motoristas possuem um “rádio” e grupos utilizados para comunicar alguma ocorrência de assédio, acidente e insegurança diante da falta de suporte dos aplicativos.

A presidente do sindicato contou que essa luta coletiva das mulheres é importante e foi primordial para conquistas históricas. “Nós éramos mudas em tudo, nós éramos amordaçadas, e hoje a gente conquistou muitos direitos. Antes as mulheres nem pensavam em ser mecânicas, em pilotar um avião, em dirigir um caminhão, um ônibus, um carro, e hoje nós estamos em todos os setores. Isso é uma conquista, é uma vitória imensa”, comemorou.

Carminha também deixou uma mensagem inspiradora para todas as mulheres que tem receio de começar na profissão de motorista e assumir a direção de sua vida.

“Eu gostaria de dizer a todas as mulheres que tem vontade de ter sua autonomia, de ter o seu dinheirinho para você fazer o que você quiser: pegar o volante e enfrentar o trânsito não é bicho de sete cabeças. Nós, com nossa atenção, nossos cuidados, a gente consegue trabalhar de boa. Nós temos o direito de permanecer onde a gente quer. Então, venha, você que ainda não é motorista, aceita o desafio e você vai conseguir a sua vitória, não sozinha, mas junto com a gente”, concluiu.

Facebook
Veja também