Caos na saúde: filha diz que falta de cuidados no Hospital do Dirceu II contribuiu para amputação da perna do pai
A Fundação Municipal de Saúde (FMS) informou que o Hospital do Dirceu mantém funcionamento regular, atendendo à população conforme a demanda assistencial da região.
A realidade de quem procura atendimento no Hospital Alberto Neto, mais conhecido como Hospital do Dirceu II, na zona Sudeste de Teresina, é marcada por desafios que envolvem demora no atendimento, superlotação e baixa quantidade de profissionais para a alta demanda.
O Viagora esteve na unidade de saúde, que oferta atendimentos de urgência e emergência, além de possuir ambulatório, e conversou com pacientes que relataram os principais problemas enfrentados na busca por serviços básicos.
A dona de casa, Socorro Nascimento, explicou que seu pai, diagnosticado com diabete tipo 2, ficou internado na unidade por 30 dias para tratar uma ferida que não curava. Ela relatou que a falta de um cirurgião e a longa espera para ser transferido resultaram na amputação de uma das pernas.
“Eu acho que se eles tivessem agido com mais urgência, tivessem dado mais atenção ao caso dele, ele não teria perdido a perna dele. Eu sempre perguntava para o médico sobre a ferida e eles falavam: ‘a ferida está indo bem’, ficavam enrolando. Quando ele chegou no HUT, com dois dias de cirurgias, ele teve que tirar a perna”, explicou.
Durante o período em que permaneceu internado, ela afirma que solicitou diversas vezes a transferência para o Hospital de Urgência de Teresina (HUT) e também para uma unidade particular, onde ele possuía convênio, mas não conseguiu vaga.
"Outra coisa que atrapalhou mais também é que aqui não tinha cirurgião. Não estava vindo de jeito nenhum porque se tivesse, ele poderia ter feito aqui mesmo a cirurgia. E eu não conseguia tirar, não conseguia vaga nos outros hospitais e eles foram enrolando até acontecer isso", complementou.
Fábio Urso, fisioterapeuta e agricultor, levou sua mãe até o hospital para tomar uma medicação e afirmou que a maior dificuldade do hospital é a demora no atendimento devido à pouca quantidade de médicos.
“O maior problema é chegar e não ser atendido. Sempre que a gente chega, tem aquela grande espera, às vezes não tem médico e a equipe sempre pede para a gente estar aguardando porque a demanda é muito grande de pessoas para serem atendidas e a demanda de médico é muito pequena”, ressaltou.
Ele ressaltou ainda que o impasse na liberação de exames acaba atrasando o diagnóstico e agravando o estado de saúde do paciente. “A infraestrutura é bem complicada, porque ela nunca vai atender à necessidade da população, até mesmo porque o governo e a secretaria trabalham para não ter tantos gastos. Se você tem dez exames, ele vai liberar cinco, se você tem cinco, ele vai liberar dois. Você vem hoje para pegar uma medicação que é para trinta dias, eles dividem e te dão para uns quinze dias”, afirmou.
Quem também procurou a unidade em busca de atendimento e passou por uma experiência negativa foi Francisco Silva Costa. O autônomo afirmou que foi mordido por um fato e precisava de uma vacinação antirrábica, que não tinha no hospital.
“Eu vim procurar um atendimento aqui no qual vão passar um encaminhamento para o hospital da Primavera, porque fui mordido por um gato e aqui não tem a vacinação antirrábica. Eu estou há mais de 40 minutos esperando ser avaliado pela doutora para ser encaminhado”, ressaltou.
Outro lado
O Viagora procurou a Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina para falar sobre o assunto e a seguinte nota foi encaminhada:
A Fundação Municipal de Saúde (FMS) informa que o Hospital do Dirceu mantém funcionamento regular, atendendo à população conforme a demanda assistencial da região. A unidade integra a rede municipal de urgência e emergência e, como ocorre em períodos de maior procura, pode registrar momentos pontuais de aumento no fluxo de pacientes, o que impacta no tempo de espera.
A FMS esclarece que não há desabastecimento generalizado de medicamentos na unidade. Situações pontuais de reposição podem ocorrer, sendo prontamente regularizadas por meio da logística de distribuição da rede. Quanto ao quadro de profissionais, a Fundação realiza monitoramento contínuo das escalas e adota medidas para suprir eventuais necessidades, garantindo a assistência aos usuários.
Em relação ao caso mencionado, a FMS reforça que toda a assistência prestada segue critérios técnicos e protocolos clínicos estabelecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A instituição irá apurar detalhadamente a situação para verificar as circunstâncias do atendimento, assegurando transparência e responsabilidade.
A gestão municipal tem adotado medidas permanentes para qualificar os serviços de saúde, incluindo reforço de equipes, otimização de fluxos, ampliação da regulação de leitos e investimentos na rede hospitalar, com o objetivo de reduzir o tempo de espera e melhorar a qualidade do atendimento.
A FMS permanece à disposição para esclarecimentos e reafirma seu compromisso com a assistência humanizada, segura e de qualidade à população.
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