Tuíte da primeira-dama provoca crise política para Hollande
Valérie Trierweiler divulgou seu apoio ao adversário da ex-mulher do presidente
A imprensa francesa tratou com muita ironia o encontro da vida pública com a privada, ao mesmo tempo em que inicia um debate sobre a necessidade de dar um status oficial à primeira-dama, inexistente na França. Para o ex-ministro Patrick Ollier, a gafe de Valérie Trierweiler representa um duro golpe na imagem de normalidade que Hollande quer dar a seu mandato, ao contrário da mistura de vida privada e pública que foi criticada em seu antecessor Nicolas Sarkozy.
Enquanto isso, a direita aproveita para tentar ganhar pontos nas legislativas. "Primeira gafe da França", afirma na primeira página o jornal Libération, que faz um jogo de palavras com primeira-dama. O Le Figaro destaca que o tweet de Trierweiler é "ao mesmo tempo um ato político grave e um episódio digno de um Vaudeville", referindo-se ao teatro de variedades de tendência popular que marcou a cultura do início do século XX na Europa e na América do Norte.
Esquerda - Na esquerda, as críticas são duras. O primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault afirmou que "cada qual deve permanecer no seu lugar" e que a primeira-dama deve ter "um papel discreto". François Rebsamen, líder da bancada socialista no Senado, disse que Trierweiler "deve aprender a ser reservada". O deputado socialista Jean-Louis Bianco, ligado a Royal, foi ainda mais crítico: "Elegemos François Hollande, e não Valerie Trierweiler".
"São coisas que não se faz. Não há por que falar aqui de independência. É um golpe indecente. Royal é a mãe dos quatro filhos de Hollande. Que Trierweiler não se esqueça", comentou o eurodeputado verde Daniel Cohn-Bendit. A única que defendeu a primeira-dama foi a ministra Marisol Touraine. "Este assunto toma proporções que considero deslocadas. É uma tomada de posição privada", disse.
Direita - Satisfeita com a oportunidade após a vitória da esquerda no primeiro turno das legislativas, a direita não para de atacar os socialistas. Eric Ciotti, deputado do partido de direita UMP, afirmou que o "assunto ridiculariza nosso país e ridiculariza o chefe de estado". Ciotti já havia afirmado que ao menos "os socialistas têm uma virtude: nos fazem sorrir". Mas disse que os eleitores devem enviá-los ao teatro e não à Assembleia Nacional.
O líder do mesmo partido, Jean-François Copé, afirmou que em "um clima de crise nos pedem comentários sobre algo que não está à altura". Os socialistas tentavam redirecionar o debate para a relação entre a direita e a extrema direita, criticando a estratégia da UMP de não tomar posição no segundo turno nas circunscrições com disputas entre o Partido Socialista e a ultradireitista Frente Nacional, além de denunciar que a UMP prepara uma aliança com a FN.
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